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No dia-a-dia das
organizações, freqüentemente nos deparamos com essa pergunta:
“Por que devo motivar minha equipe?”.
Muito se houve falar sobre motivação, comprometimento, sinergia
etc., mas por que esses temas são tão importantes nas
organizações?
Sabemos que os ativos mais importantes de uma empresa são seus
colaboradores, que se estiverem altamente motivados a perseguir
objetivos comuns, farão toda a diferença.
A motivação está intimamente ligada aos objetivos de vida de
cada ser humano. Alguns indivíduos contentam-se apenas em suprir
as necessidades básicas, outros querem mais e a cada objetivo
alcançado surge um novo, como um desafio que se renova a cada
conquista. Como na pirâmide das necessidades de Maslow, há
colaboradores que se contentam em estar no primeiro degrau,
outros almejam subir cada vez mais os degraus da pirâmide.
Tive a oportunidade de assistir uma entrevista do grande campeão
de Fórmula 1, Ayrton Senna da Silva. Naquela época, quando o
reporte perguntou o que mais o motivava em suas corridas, ele
não hesitou e respondeu: “O que mais me motiva é a vontade de
superar meus limites em cada corrida, sou um apaixonado por
velocidade e com certeza farei de tudo para quebrar meus
recordes e meus limites”. Essas palavras do campeão me marcaram
e comecei a ver as pessoas de um modo diferente.
Existem colaboradores que nasceram para quebrar recordes,
limites, e gostam de ser desafiados todos os dias, com tarefas
cada vez mais complexas e cheias de dificuldades, pois a cada
desafio surge para eles uma nova motivação. É claro que nem
todos os colaboradores gostam de desafios, há aqueles que
preferem a segurança do dia-a-dia, para se sentir confortável no
trabalho, outros preferem o status etc.
O líder precisa identificar quais serão os perfis de
colaboradores que deverão fazer parte de sua equipe e colocar
cada profissional em tarefas que sejam exatamente aquelas que
irão motivá-los.
Na Copa do Mundo de 1994, por exemplo, o técnico da seleção
brasileira (Carlos Alberto Parreira), levou um time todo para
jogar em favor de um único jogador - o Romário. Todos pegavam a
bola e lançavam para o “Baixinho”, que marcava o gol.
Na época, o treinador (líder) identificou que no grupo deveria
existir uma estrela maior e que a equipe toda deveria jogar e
correr muito, para que ele ficasse de frente para o gol. Em
resumo, ganhamos a Copa e Romário foi eleito o melhor jogador de
futebol do mundo.
Mas, e o restante do grupo? Todos tiveram que trabalhar muito em
prol de um objetivo comum, que era roubar a bola e passar para o
Romário. Ficou claro, então, que o líder transmitiu para a
equipe que o objetivo não era transformar Romário no melhor
jogador ou o artilheiro da competição, mas sim fazer do BRASIL o
campeão do mundo, após 24 anos. Todos entenderam o objetivo e
lutaram muito para alcançá-lo.
Para isso, o técnico montou um time extremamente defensivo,
porém, com um goleador à frente, que a qualquer momento ao
receber uma bola, matava o jogo. Já em 2002, Luiz Felipe Scolari
(Felipão), não convocou Romário que foi muito aclamado pelo povo
Brasileiro.
Felipão recebeu várias críticas, porém ele escolheu uma equipe
em que todos deveriam jogar para o grupo e não para um só
jogador. Naquele momento o objetivo estava claro, era preciso
fechar um grupo e recuperar a auto-estima de grandes talentos,
como Ronaldo (o Fenômeno), Rivaldo, entre outros jogadores que
não vinham em alta, caso contrário nossa Seleção seria um
fiasco.
Para isso acontecer, Felipão sabia que não poderia ter uma
estrela isolada como na Copa do Mundo de 94, mas precisaria que
o grupo todo fossem as estrelas. Conclusão: mais uma vez o
Brasil foi campeão do mundo. Muito provavelmente, em 2003,
Romário iria atrapalhar o grupo e talvez o Brasil não se
consagrasse campeão, pois o seu perfil não era jogar para a
equipe e sim a equipe jogar para ele.
O líder deve verificar qual o perfil dos colaboradores que será
necessário para fazer a melhor equipe naquela organização. Isso
dependerá dos objetivos e das dificuldades que o grupo irá
enfrentar. Portanto, não há uma formula mágica, mas sim a
experiência do líder e o conhecimento do negócio em que o grupo
está inserido.
Só assim o líder pode montar a melhor equipe para obter grandes
resultados. Tendo essa consciência, o líder busca os talentos
para cada posição e os motiva de acordo com o perfil de cada
colaborador. Com isso, essa equipe motivada torna-se imbatível e
a cada tarefa procura desempenhá-la com amor, paixão, carinho e
comprometimento. Com esses sentimentos dificilmente esse grupo
poderá perder, pois cada integrante vai dar tudo de si em um
objetivo comum, que é a realização da tarefa, da superação de
limites.
Washington Luis Silva de Souza
Bacharel em Ciências Contábeis, pós graduando em gestão
empresarial.Membro do Grupo de Trabalhos de Recursos Humanos da
ABIGRAF. Coordenador da Ação Social Amigos do CENHA (CENHA -
entidade sem fins lucrativos que auxilia crianças excepcionais
sediada na Zona Leste de São Paulo).
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